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O milagre da Lua
Lua é uma menina carinhosa, estabanada e sapeca. Apareceu no meu sítio como quem não quer nada e, de mansinho, foi ficando. Somente senti que tinha sido adotado como seu dono quando notei que, sempre, na minha chegada, ela entrava pela janela do carro, antes que estacionasse, e sentava-se no banco do carona, mesmo que lá houvesse alguém.
É lógico que arranhava a pintura da porta, mas sua alegria era tanta que compensava o estrago.
Um dia, quando cheguei, Lua não conseguiu entrar pela janela, andava sem apoiar uma das patas dianteiras. O caseiro disse que ela estava assim há alguns dias. Como ela era muito pesada e desajeitada, suspeitei de fratura.
Corri à clínica do Dr. Aldecir e seu diagnóstico foi terrível: Lua fora atingida por um tiro que estilhaçara seu úmero, um osso longo da perna dianteira, e a bala estava alojada na barriga. Para piorar a situação, o caseiro havia mentido, descobri que Lua já estava mancando há cerca de um mês.
Dr. Aldecir explicou que, além do dano causado pela bala, como o fato ocorrera há muitos dias, as bordas do osso estilhaçado haviam 'calcificado', diminuindo muito a possibilidade de os pedaços voltarem a se 'colar'. Eram remotíssimas as chances de Lua voltar a andar com as quatro patas. A indicação de outros veterinários consultados era de amputação.
Apesar do péssimo prognóstico, Dr. Aldecir propôs-se a primeiro tentar salvar a perna ferida e, somente em último caso, fazer a amputação.
Atualmente, Lua corre e pula, carregando seus 35 quilos, sem que se perceba qual perna foi ferida. O Veterinário que examinou a radiografia do osso estilhaçado exclamou: Isto foi um milagre!
Sim, foi milagre. Milagre de 'São' Dr. Alcecir.
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